Jardins de Sephora

25 maio 2010

E, NO ENTANTO...

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O dia ainda não raiara quando Marieta despertou estranhamente.
Havia várias noites dormia mal, virava-se de um lado para o outro, agoniava-se com o queimor dos lençóis, a cama vazia, a estranheza de um sono que lhe faltava por mais que buscasse uma posição de relaxamento. As madrugadas começavam a atormentá-la, já não sabia como proceder. À mesa de cabeceira, uma pilha de livros repousava, o copo d´água de sempre, o abajur com luz apagada, os óculos, o retrato de Pedro. Tudo acabava se esvaindo na solidão de um quarto fechado. Não estava disposta a rever os desencontros. Haveria de apagar o domingo passado. Irritante. Desprezível.
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E, NO ENTANTO, ESQUECEU DE DIZER QUE...
Acendeu a luz, dirigiu-se ao lavabo, acreditava que um banho morno a faria dormir.
Deixou-se invadir pela ducha, o corpo arrepiou-se, nem frio nem calor; apenas uma sensação de arrependimento. Enxugou-se de imediato; vestiu uma camisola de alças, de tecido fino, algodão. O pijama de seda, desprezou-o. Precisava de alguma coisa que lhe desse liberdade, o peito arfava, o colo carecia de maior contato com ar, ela almejava despir-se de um pensamento que a incomodava.
E se tivesse perdoado Pedro? O que mudaria nesse ato de compaixão?
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Tornou-se a deitar-se. Encolheu as pernas, sentiu o próprio corpo a palpitar; ela, Marieta, ignorava a atitude que tomara. Fechou as pálpebras e aperto-as como se quisesse isolar-se do mundo. Era isso, carregava o peso de um gesto intempestivo. Voltaria atrás? Nem se mexia, tomada por um sentimento de desespero. O relógio badalava os minutos, mais um quarto de hora, e afinal o som das três da manhã.
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Sobre a penteadeira, os perfumes, o pente, o batom e a sombra para emoldurar os olhos. Gostava de pintar-se, tinha a mania de soltar os cabelos ao natural, livre, escorridos, longos. Curioso: raramente usava batom; Pedro não apreciava. Por isso, exagerava a luminosidade das sombras nos olhos. Alta, esguia, porte de manequim, bonita, jeito um tanto selvagem, talvez mostrasse ousadia demais para uma mulher discreta por natureza. Resolveu mudar de posição na cama. Agora de costas, pernas estiradas, a cabeça vigiava o teto. Marieta lutava contra as lembranças que a atormentavam... Quantas vezes repudiou essa perversa memória, os detalhes, cada sílaba, o som das frases, o escapulir de palavras grosseiras na linguagem da raiva, a intensidade do sim e do não, o neutro a outorgar precárias irrealidades?! Tão cansada de reviver aquele diálogo de domingo, seco, duro, insuportável.
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E, NO ENTANTO, ESQUECEU DE DIZER QUE...
E se tivesse dito isto em vez daquilo? Teria sido intolerante?
Repetia-se tanto que os ouvidos pareciam estourar... O quarto se mantinha inalterado; ela, uma mulher racional encontrava-se invadida pelo excesso de emoção. E o corpo latejava de fatiga ou de desprezo por si mesma. Nunca se aceitava quando perdia o controle da situação.
Falou demais, disse o que não devia, julgou-se superior, sequer imaginou o minuto a seguir.
Por que?
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E, NO ENTANTO...
A escrivaninha, do lado oposto à penteadeira, apinhada de papeis, blocos, livros, retalhos de jornais, canetas – a agenda do ano jazia como um objeto distante de seu pensamento. Um objeto. A desarrumação lhe doía, apreciava os papéis em ordem, nem conseguia trabalhar com tanto desmazelo. Desde domingo abandonara a disciplina do cotidiano: casa, trabalho. Lazer. Dormia mal, vivia mal, o tempo passava mesmo assim, alheio aos sentimentos de uma mulher. De uma mulher somente? Não, não. De todas as mulheres e de todos os homens.
Um tempo autoritário e independente.
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De olhos bem abertos, deitada de costas, o teto parecia-lhe montar um jogo de sombras, algumas disformes, outras menos distorcidas, todas igualmente idealizadas por uma imaginação insone. Fantasmas que tentavam deslindar o que sua mente não arriscava mostrar: Figuras patéticas, imagens monstruosas, círculos fechados em contínuos espirais, corpos nus, labaredas, fogo... Nem sequer sabia onde estava. Marieta sonhava ou deturpava a realidade de um domingo cruel. E era quarta-feira. E quantos dias haviam passado? As pernas lentamente se encolheram, mudou de novo de posição, tão tarde, a noite se encantava, quase dia.
O sono não chegava, as sombras continuavam no teto, a penteadeira exibia os perfumes, o batom, o pente... a escrivaninha em descalabro.

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E PEDRO?
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E, NO ENTANTO, ESQUECEU DE DIZER...QUE O AMAVA.
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( Fátima Quintas )
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17 maio 2010

União

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Eu?
Eu sou eu
por tu seres.
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Sou!
Sou tu e eu,
sou nós.

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Serei,
por ti,
nunca mais
só eu.

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( Vicente Ferreira da Silva )
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06 maio 2010

Reflexão do Dia 06/05/2010

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" Não menospreze as boas ações muito pequenas,
pensando que não trazem benefícios,
até gotas minúsculas de água
acabam enchendo um vaso enorme.
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Não menospreze as más ações simplesmente por serem pequenas,
por menor que seja uma centelha,
pode incendiar uma pilha de feno
do tamanho de uma montanha."
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( O Buda)
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29 abril 2010

As Fontes

( Foto - Arun Sundar )
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Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até as fontes.
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Irei até as fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.
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Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um vôo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.
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( Sophia de Mello Breyner Andresen )
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23 abril 2010

" Se "

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Se tanto me doi que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.
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( Sophia de Mello Breyner Andresen )
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17 abril 2010

A Compreensão da Vida.

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( Flickr David Reneses )
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Não podemos fugir da vida; temos de compreendê-la. E para compreendermos uma coisa, não devemos dar-lhe pontapés, nem evitá-la. Cumpre ter grande amor, verdadeira afeição por aquilo que queremos compreender. Se desejamos compreender uma criança por exemplo, não podemos coagi-la, forçá-la, ou compará-la com seu irmão mais velho. Devemos olhar a criança, observá-la com carinho, ternura, afeição, com tudo o que de bom possuímos. Do mesmo jeito, devemos compreender essa coisa vulgar que chamamos “nossa vida”, com seus ciúmes, conflitos, aflições, canseiras, pesares. Então quando adquirimos essa compreensão provém uma diferente tranqüilidade, que não pode ser procurada às cegas.
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Há uma interessante história de um discípulo que foi ter com o Mestre.
Encontrava-se este num belo e bem irrigado jardim, e o discípulo sentou-se perto dele – não bem à sua frente, porque sentar-se diretamente à frente do Mestre não seria respeitoso. Assim sentando-se ao lado, o discípulo cruza as pernas e fecha os olhos.
Então pergunta o Mestre: “ Meu amigo, que estais fazendo?”
Abrindo os olhos, o discípulo responde: “Mestre, estou tentando alcançar a consciência do Buda” – e torna a fechar os olhos.
Daí a momentos, o mestre apanha duas pedras e começa a esfregar uma na outra, com muito barulho; então o discípulo desce das alturas em que andava e pergunta: “Mestre, que estais fazendo?”
Ao que o Mestre responde: “Estou esfregando estas duas pedras, para fazer uma delas se torne um espelho. “
Diz então o discípulo: “Mas, Mestre, isso jamais conseguireis, 
ainda que fiqueis um milhão de anosa esfregá-las.”
Sorri, então o Mestre e responde: “De modo, idêntico, meu amigo, podeis ficar aí sentado um milhão de anos, que nunca alcançareis o que estais tentando alcançar.” – E é isso o que todos nós estamos fazendo. Estamos tomando posições; estamos desejando alguma coisa, buscando algo, às cegas – o que exige esforço, luta, disciplina. Mas sinto dizer-vos que nenhuma dessas coisas vos abrirá a porta. O que o fará é a compreensão sem esforço; apenas olhar, observar, com afeição, com amor. 
Mas não podeis ter amor se não sois humilde.
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( Krishnamurti - Livro. - A mente sem medo )
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11 abril 2010

Certeza

( Flickr Galeria Klskogen)
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Procurar!
Às vezes,
o tempo de uma existência
não é suficiente.
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Encontrar!
Noutras,
o que foi uma busca incessante
num estante, é certeza.
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Sabes porque serias feliz comigo?
Porque eu seria feliz contigo.
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( Vicente Ferreira da Silva )
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30 março 2010

Histórias da Páscoa

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A festa da páscoa tem origem numa tradição judaica, muito antes da vinda de Cristo. Era uma festa que recordava momentos significativos do povo hebreu (judeu). O terceiro livro da bíblia, Levítico, escrito por Moisés, conta que a páscoa originou-se com a consagração das primícias,(primeiros frutos, a prioridade que honra ( Proverbios 3 ; 9),(Números 13:20) ,) onde era apresentado a Deus o resultado das plantações, as boas colheitas.
A páscoa ficou conhecida como o nascimento da liberdade do povo judeu. Deus queria a libertação de seu povo, que não era aceita pelo faraó do Egito.
Assim, a páscoa ganha o sentido de libertação diante da morte, quando na fuga desse povo, Moisés abre o mar vermelho, com seu cajado, tornando possível a passassem dos hebreus para o lado da Terra prometida.
O termo páscoa tem origem do hebraico (Pessach), que significa passagem.
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SÍMBOLOS E ESPERANÇA.
A páscoa tem um significado profundo e símbolos que evocam um novo desabrochar da vida.
Vejamos como exemplo os ovos da páscoa que representam o sepulcro que liberta a nova vida. As tradições comuns aos cristãos são a bênção do fogo novo, as velas ou círio, símbolo de Cristo ressuscitado, o pão enfeitado porque é alimento que sustenta a vida. Páscoa para os Judeus é vida e liberdade; para nós cristãos é vida e ressurreição.
Na páscoa cristã e Judaica, existem símbolos comuns: o cordeiro sem ossos quebrados e seu sangue, marcando o povo para uma nova realidade de mudanças e libertação em meio a toda opressão.
A principal celebração feita pelos povos judeus é o jantar em família (Seder), onde aparecem os alimentos que têm grande importância na cultura desse povo. Esse jantar serve ainda para ensinar as gerações mais novas, sobre os três principais alimentos da refeição: o cordeiro, os pães e as ervas amargas.
O cordeiro (pesah) "é o sacrifício da páscoa de Jahwé, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou nossas casas." (Ex 12,27).
O pão ázimo (matsah) que foi feito às pressas, antes da fuga do Egito, (Ex. 12,39), ensinando às novas gerações que assim como o fermento representa as imperfeições morais e as tendências negativas do homem. Da mesma forma que a massa fermentada enche-se de ar e cresce, assim também é o homem que se enche de vaidade, vazios.
Já as ervas amargas (maror), (Ex. 1,14), (Números 13:20) " Assim lhes amargura a vida com pesados serviços e com toda sorte de trabalho, emfim, com todo o seu serviço, em que os faziam servir com dureza ( EX. 1,14 ).
.JESUS E A FESTA DA PÁSCOA

Depois de tudo isso cabe-nos lembrar que desde o início de sua vida, Jesus se inseriu na vida religiosa do seu povo. Ele não podia deixar de viver e fazer uso de todo tipo de rito dos Judeus, incluindo a celebração da páscoa, para assim perpetuar a verdadeira páscoa.
Desse modo, o Salvador, antes de deixar este mundo e voltar para o Pai, instituiu um rito, para a verdadeira passagem do homem deste mundo para o Pai.
Não temos dúvida que Jesus celebrou a páscoa Judaica. Mas em seguida nasceu um novo rito em sua memória, a memória de outro fato histórico que havia de realizar,
"Fazei isto em memória de mim"(Lc 22,19) onde significava "sede vós, o meu exemplo, corpo dado e sangue derramado em favor de vossos irmãos".
Podemos concluir que a ressurreição é um aspecto do Reino de Deus que se dirige à pessoa inteira, é um novo mundo, uma nova criação, é o tempo- que há-de-vir,( um futuro próximo), saúde, vida , felicidade, terra prometida, ressureição e boas novas de libertação.
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18 março 2010

Frase de Hoje - 18/ março/ 2010

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( Galeria de bocavermelha-l.b )
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"Compromete-te com algo
que esteja mais além de ti mesmo.
Sê apaixonado ao fazê-lo.
Mas não destruas o mundo,
a menos que tenhas algo melhor
para colocar em seu lugar."
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( Lawrence Ferlinghetti )
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14 março 2010

O Rio e Oceano

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Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada,os cumes, as montanhas,
o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados,
e vê à sua frente um oceano tão vasto
que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira.
O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar.
Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece.
Porque apenas então o rio saberá
que não se trata de desaparecer no oceano,
MAS TORNAR-SE OCEANO.
Por um lado é desaparecimento
e por outro lado é renascimento.
( Osho )
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05 março 2010

Inseguranças X Força

( Foto - Imperador Romano Marcus Aurelius - Galeria Marcel Germain )
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"Nosso medo mais profundo não é de ser inadequado...
Nosso medo mais profundo é de sermos poderosos além da medida.
É nossa luz, não nossa escuridão, o que mais nos assusta.
Nós nos pergutamos,
'Quem sou eu para ser brilhante, interessante, talentoso e fabuloso?'
Na realidade, quem é você para não ser?
Você é um filho de Deus.
Você fazer papel de pequeno não serve ao mundo.
Não há nada de iluminador em se encolher
para que outras pessoas não se sintam inseguras perto de você.
Nascemos para manisfetar a glória de Deus que está dentro de nós.
E ela não está em apenas alguns de nós; está em todo mundo.
E quando a gente deixa a nossa própria luz brilhar,
nós, inconscientemente damos a outras pessoas
permissão para fazerem o mesmo.
Quando a gente se liberta dos nossos medos,
nossa presença automaticamente liberta os outros."
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(Nelson Mandela - 1994)
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26 fevereiro 2010

Pratique a Gentileza

Foto - TumblingRun
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Pratique a Gentileza
Penso que ser gentil é ser belo.
Nada mais atraente e desconcertante do que uma pessoa gentil.
Gentileza que significa cortesia, amabilidade, fidalguia, bom tratamento, tem um poder muito grande e tem relação direta com a inteligência.
Essa atitude depende do hábito, tem um pouco de renúncia e muito a ver com a generosidade, e esta é irmã da caridade, por isso que quanto mais elevada a pessoa, mais gentil ela é.
Virtude que pertence à família do amor, é também a chave que abre as portas do sucesso, porque não há coração mais endurecido que a gentileza não consiga desarmar, nem situação mais desfavorável que não consiga reverter.
Ainda que você não acredite em tudo o que pode a gentileza, ainda que ache que tudo isso é exagero, se você for gentil, estará se presenteando a si mesmo, porque tornará sua vida bem mais prazeirosa.
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Lembre-se;
"O primeiro degrau do Paraíso chama-se gentileza" .
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24 fevereiro 2010

O Alimento das Crianças


Uma criança é alimentada com leite e elogio.
Nossos Pequenos dependem de nós para se lembrarem
de Quem Eles Realmente São.
Não perca uma única chance de fazer isso.
E enquanto faz isso, ofereça algum elogio, diariamente, para a sua Criança Interior.
Seu próprio Pequeno poderia usufruir de algum amor neste momento.
Na verdade, sempre.
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( Neale D. W. )
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11 fevereiro 2010

Frase de Hoje 11/ Fev / 2010

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"Em algum lugar,
algo incrível espera
para ser conhecido."
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( Carl Sagan, astrônomo americano )
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01 fevereiro 2010

Vertuno e Pomona

"Vertumnus et Pomona" - Laurent Delvaux
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"As hamadríades eram ninfas dos bosques. Pomona era uma delas, e nenhuma a excedia no amor aos jardins e ao cultivo das árvores frutíferas.
Não se preocupava com florestas e rios, mas amava as regiões cultivadas e as árvores de onde pendem as maçãs deliciosas. Trazia como arma, na mão direita, não um dardo, mas um podão. Armada com ele, dedicava seu tempo ora a impedir que as plantas crescessem excessivamente e a cortar os ramos que saíam de seus lugares, ora a abrir uma fenda para nela inserir um enxerto, fazendo o ramo adotar um broto que não era seu. Também velava para que suas plantas prediletas não ficassem secas e conduzia até junto delas os canais, a fim de que as raízes sedentas pudessem beber. Essa ocupação era seu objetivo e sua paixão; e estava livre do que Vênus inspira.
Receava os habitantes da região e mantinha seu pomar fechado, sem permitir que homem algum ali entrasse. Os faunos e sátiros dariam tudo de que dispunham para possuí-la, e assim também o velho Silvano , que parece jovem para sua idade, e Pã, que usa uma guirlanda de folhas de pinheiro em torno da cabeça. Vertuno, porém, a ama mais do que todos os outros; mas não tem mais sorte do que os outros. Quantas vezes, sob o disfarce de um segador, ele não levou a Pomona trigo num cesto, em tudo semelhante, de fato, a um ceifeiro! Com uma faixa de feno amarrada em torno do corpo, parecia, realmente, que acabara de ceifar os campos. Algumas vezes, trazia consigo um aguilhão e ninguém duvidaria de que acabara de desatrelar os fatigados bois.
Ora trazia um podão e personificava um vinhateiro; ora, carregando uma escada, dava a impressão de que ia colher maçãs. Às vezes apresentava-se como um soldado licenciado, às vezes carregava um caniço, como se fosse pescar. Desse modo, conseguia aproximar-se de Pomona freqüentemente e alimentava a paixão com a sua presença.
Certo dia, ele apareceu disfarçado de velha, com os cabelos grisalhos cobertos por uma touca e tendo um bastão na mão. Entrou no pomar e admirou os frutos.
- Mereces louvor, minha filha - disse, e beijou Pomona, não exatamente como beijaria uma velha.
Sentou-se num banco e olhou para os ramos carregados de frutos que pendiam acima dela. Em frente, havia um olmo, por cujo tronco subia uma parreira, carregada de uva. Elogiou a árvore e a vinha a ela associada.
- Mas - acrescentou - se a árvore ficasse só, sem a vinha lhe cingindo o tronco, nada teria para nos atrair ou nos oferecer, a não ser as folhas inúteis. E, igualmente, a vinha, se não se enroscasse em torno do olmo, estaria prostrada no chão. Por que não aproveitas a lição da árvore e da vinha e concordas em unir-te a alguém? Eu desejaria que assim o fizesses. A própria Helena não teve tantos pretendentes, nem Penélope, a esposa do astucioso Ulisses. Apesar de desprezá-los, eles te fazem a corte, divindades rurais e outros de diversas naturezas que andam por estas montanhas. Mas, se és prudente, e desejas fazer uma boa aliança, e deixares que te aconselhe uma velha que te ama mais do que supões, deixa de lado todos os outros e aceita Vertuno. É o meu conselho. Conheço-o tão bem quanto ele se conhece. Não é uma divindade errante, mas pertence a estas montanhas. Nem se assemelha a muitos dos amantes de hoje em dia, que amam todas que têm ocasião de ver. Ele te ama, e somente a ti. Ajunta a isso que ele é jovem e belo e tem a arte de assumir qualquer aspecto que deseje, e pode transformar-se exatamente naquilo que desejes. Além do mais, ele ama as mesmas coisas que amas, deleita-se com a jardinagem e admira tuas maçãs. Agora, porém, ele não se interessa por frutas e flores nem outra coisa qualquer, a não ser por ti. Tem piedade dele e imagina-o falando agora por minha boca. Lembra-te de que os deuses castigam a crueldade e de que Vênus detesta os corações duros e vingar-se-á de tais ofensas, mais cedo ou mais tarde.
- Para provar isto, deixa-me contar-te uma história que é bem sabido em Chipre ser verdadeira. E espero que ela tenha como resultado tornar-te mais benevolente.
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"Ífis era um jovem de origem humilde, que se apaixonou por Anaxárate, nobre de uma antiga família da Têucria. Lutou muito tempo com sua paixão, mas, quando viu que não podia dominá-la, procurou a casa da mulher amada, como suplicante.Primeiro contou sua paixão à ama de Anaxárete e pediu-lhe que, se amasse a filha de criação, favorecesse sua causa. Depois, tentou arrastar os criados para o seu lado. Às vezes, escrevia súplicas em tabuinhas e, muitas vezes, pendurou, na porta, guirlandas que molhara com suas lágrimas. Estendia-se nos umbrais da morada da jovem e murmurava suas queixas às barras e fechaduras cruéis que dela o separavam. Anaxárete mostrava-se mais surda que os vagalhões que se erguem nas tempestades de novembro; mais dura que o aço que vem das forjas germânicas ou que a pedra que ainda se prende ao seu rochedo nativo. Zombava e ria-se de Ífis, ajuntando palavras cruéis ao seu rude tratamento, e não lhe dava a mais ligeira esperança.
Ífis já não podia suportar os tormentos do amor desesperançado e, de pé diante da porta da amada, disse estas últimas palavras:
- Venceste, Anaxárete, e já não terás de suportar minhas importunações. Goza o teu triunfo! Canta canções de alegria e cinge tua cabeça de louros. Venceste. Vou morrer. Coração de pedra, regozija-te! Isto ao menos posso oferecer-te e obrigar-te a elogiar-me.
E assim provarei que o meu amor por ti só me abandonará juntamente com a vida. Nem deixarei ao cuidado de outros a notícia de minha morte. Irei eu mesmo e me verás morrer e hás de regalar teus olhos com o espetáculo. Contudo, ó deuses que baixais os olhos para os sofrimentos dos mortais, observai meu destino! Só peço uma coisa: que eu seja lembrado nos tempos vindouros e que ajunteis à minha fama os anos que roubaste de minha vida.
Assim ele disse e, voltando o rosto pálido e os olhos lacrimosos para a mansão da amada, amarrou uma corda ao portal onde muitas vezes prendera guirlandas e, metendo a cabeça no laço, murmurou:
- Pelo menos esta guirlanda há de agradar-te, jovem cruel!
E caiu enforcado, suspenso à corda pelo pescoço quebrado. Ao cair, chocou-se contra a porta, e o ruído foi semelhante a um gemido. Os criados abriram a porta, encontraram-no morto, e, com exclamações de piedade, retiraram o corpo e levaram-no para casa, entregando-o à sua mãe, pois seu pai já era morto. Ela recebeu o corpo sem vida do filho, apertou-o de encontro ao peito e disse as palavras dolorosas que as mães costumam dizer no sofrimento. O triste funeral atravessou a cidade e o pálido cadáver foi levado num caixão para o lugar da pira funerária. Por acaso, a casa de Anaxárete ficava na rua onde passava o desfile,e os lamentos das carpideiras chegaram aos ouvidos daquela a quem a divindade vingadora já marcara para o castigo.
- Vamos ver este triste desfile - disse ela, e subiu a uma torre através de cuja janela aberta contemplou o funeral.
Mal demoraram no vulto de Ífis estendido no caixão, seus olhos começaram a enrijecer e esfriou o quente sangue de seu corpo. Procurando recuar, a jovem percebeu que não podia mover os pés. Tentou virar o rosto, mas em vão. Pouco a pouco, todos os seus membros tornaram-se de pedra, como o coração."

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Não podes duvidar do fato, pois a estátua ainda se encontra no templo de Vênus em Salamina, ostentando a forma exata da dama. E, agora, reflete sobre todas essas coisas, minha querida, e põe de lado o desdém e as protelações e aceita um amante. Assim não possa o granizo hibernal crestar teus jovens frutos, nem os ventos furiosos dispersar tuas flores!"
Tendo assim falado, Vertuno livrou-se do disfarce de velha e se mostrou tal como era, um belo jovem. Pomona teve a impressão de ver o sol irrompendo através de uma nuvem. Ele ia renovar seus apelos, mas não houve necessidade; seus argumentos e seu próprio aspecto triunfaram e a ninfa já não mais resistiu, correspondendo-lhe com o mesmo ardor."

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Thomas Bulfinch em O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA
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26 janeiro 2010

Frase de hoje - 26/ Jan/ 2010

( Foto Flying towel - Hueystar )
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Possua um coração que nunca endurece,
um temperamento que nunca pressiona e
um toque que nunca magoa.
( Charles Dickens)
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21 janeiro 2010

Think Different



Here’s to the crazy ones.
Isto é para os loucos

The misfits.
Os desajustados

The rebels.
Os rebeldes

The troublemakers.
Os criadores de problemas

The round pegs in the square holes.
Pecinhas redondas em buracos

The ones who see things differently.
Aqueles que veêm as coisas diferentes

They’re not fond of rules.
Eles não seguem as regras

And they have no respect for the status quo.
E não respeitam o “Status quo”

You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them.
Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou difamá-los.

About the only thing you can’t do is ignore them.
Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los.

Because they change things.
Porque eles modificam coisas.

They push the human race forward.
Eles empurram a raça humana para frente.

And while some may see them as the crazy ones,
E enquanto alguns os vêem como loucos,

We see genius.
Nós os vemos como gênius.


Because the people who are crazy enough to think
Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar

they can change the world,
que podem mudar o mundo,

Are the ones who do.
São as que realmente o fazem.


Pense diferente
slogan created for Apple Computer in 1997
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16 janeiro 2010

Frase de Hoje - 16/ Jan /2010

( Foto - Paraflyer )
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You never know
Você nunca sabe
what you can do
O que você pode fazer
until you try...
Até você tentar...
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01 janeiro 2010

Feliz Ano Novo !

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DIZEM QUE CADA COR POSSUI UM SIGNIFICADO.
EU IMAGINO QUE TODAS POSSUEM ALGO EM COMUM
TORNAR A VIDA MAIS ALEGRE, MAIS INTEIRA, LEVE E LIVRE.
HOJE, DIA 1º DE jANEIRO DE 2010
CONTEMPLO E REVERENCIO O COLORIDO DA VIDA
E COM TODA FORÇA E BELEZA DAS CORES QUE NOS INSPIRAM
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DESEJO,
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FELIZZ 2010 !!!
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Sephora

21 dezembro 2009

Feliz Natal !!


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Terapeutas do Deserto
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“Se você tiver o chamado do Espírito, atenda e procure ser santo com toda sua alma, com todo o seu coração e com todas as suas forças.
Se, porém, por sua humana fraqueza, você não conseguir ser santo, procure então ser perfeito com toda a sua alma, com todo o seu coração, com todas as suas forças.
Se, contudo, você não conseguir ser perfeito por causa da vaidade da sua vida, procure então ser bom com toda a sua alma, com todo o seu coração, com todas as suas forças.
Se ainda não conseguir ser bom por causa das insídias do maligno, então procure ser razoável com toda a sua alma, com todo o seu coração e com todas as suas forças.
Se, por fim, você não conseguir nem ser santo, nem perfeito, nem bom, nem razoável por causa do peso dos seus pecados, então procure carregar isso diante de Deus e entregue a sua vida à divina misericórdia.
Se você fizer isso, irmão, sem amargura, com toda humildade e com jovialidade de espírito, por causa da ternura de Deus que ama os ingratos e maus como você, então você começará a sentir o que é ser razoável, você aprenderá o que é ser bom, lentamente aspirará a ser perfeito e, por fim, suspirará por ser santo.
Se tudo isso você fizer, cada dia, com toda a sua alma, com todo o seu coração, com todas suas forças, então eu lhe asseguro, irmão, você estará no caminho do Reino de Deus”.
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FELIZ NATAL !!!
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Trecho do livro “Terapeutas do Deserto, de Fílon de Alexandria e Francisco de Assis a Graf Dürckheim”, de Jean_Yves Leloup e Leonardo Boff, Editora Vozes, 2006.
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10 dezembro 2009

Peço-te perdão

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"Uma vez que alguma coisa de tão grave se passara comigo, parecia-me, ingenuamente, que eu deveria estar mudado. O espelho, porém, não me enviou senão o reflexo do meu rosto de sempre, um rosto inquieto, angustiado e pensativo. Passei a mão pelas faces menos para apagar o vestígio de um contacto do que para assegurar-me de que a imagem reflectida era bem a minha. O que torna a volúpia tão terrível é talvez o fato de que ela nos ensine que temos um corpo. Antes, ele não nos servia senão para viver; a partir de um determinado momento, sentimos que esse corpo tem sua existência particular, seus sonhos, sua vontade, e que, até à nossa morte, teremos de levar em conta a sua presença, ceder, transigir, ou lutar.
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(…)
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Termino por lastimar-te sem, contudo, condenar-me severamente. É certo que te traí, mas não quis enganar-te.
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(...)
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Não tendo podido viver segundo os preceitos da moral estabelecida, procuro, pelo menos, estar de acordo com a minha própria. No momento em que decidimos renegar todos os princípios, é conveniente que conservemos, no mínimo, os escrúpulos. Assumi para contigo compromissos imprudentes que deveria ter mantido por toda a vida.
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Peço-te humildemente, o mais humildemente possível, perdão. Não por te deixar, mas por ter ficado por tanto tempo.”
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(Alexis ou o tratado do vão combate, Marguerite Yourcenar)

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03 dezembro 2009

Pelo Sabor do Gesto

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Quem já tocou o amor pelo sabor do gesto?
Sentiu na boca o som? Mordeu fundo a maçã?
Na casca a vida vem tão doce e tão modesta
Quem se perdeu de si?
Eu já toquei o amor pelo sabor do gesto
Confesso que perdi, me diz quantos se vão?
Paixões passam por mim, amores que têm pressa
Vão se perder em si
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Se o amor durou demais, bebeu nas suas veias
Seus beijos de mentira não chegam muito longe
Paixões correm por mim, são só suaves febres
Seus beijos mais gentis derretem pela neve
Pra que tocar o amor, pelo sabor do gesto?
Se o gosto da maçã vem sempre indigesto?
Amarga essa canção, os dias e o resto
Se perde como um grão

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Mas se eu ousar amar pelo sabor do gesto
Te empresto da maçã vai junto o coração
Esquece o que eu não fiz
Te sirvo o bom da festa
De um jeito mais feliz
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Paixões correm por mim, eu sei tudo de cor
Carinho sem querer me cansa e me dói
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Se o amor vem pra ficar faz tudo mais bonito
Me basta ter na mão e o corpo tem razão
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( Zélia Duncan )
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28 novembro 2009

Aceite-me

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Vida, aceite-me da maneira que venho...
Eu cheguei até você assim, desse jeitinhoque sou;
cheguei como um presente e como um brilho de luz na escuridão...
Por isso não trago manchas...
Sou uma pessoa comum, entre tantas outras...
Tenho a sensibilidade do amor
e tenho também todas as dificuldades de um ser humano...
Não tenho a pretensão de ser perfeita
e nem tampouco a prepotência de querer estar além do que posso...
Tenho, contudo, a humildade de conhecer meus limites,
e de saber onde posso chegar!
Eu sou alguém que vive que sonha...
Alguém que busca caminhos de realizações, e de felicidade...
Sou alguém que sofre, que luta, que chora...
Mas também sou alegria e sorrisos...
É assim que sou, e como todo meu semelhante, sou único, sou indivisível...
e se você me procurar dentro de mim,
me descobrirá escondidinha na emoção...
E se olhar bem devagarzinho, bem direitinho...
Verá que sou toda coração!
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( Maria Celia da Rocha )
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20 novembro 2009

A Tua História

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Tua história é uma caixinha de segredos
que eu quero abrir bem devagar, sem pressa alguma.
Com a delicadeza, respeito e alegria
de quem reconhece estar sendo iniciado
na maravilha de conhecer uma pessoa.
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(Virgina Cavalcanti)
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14 novembro 2009

A Arte da Imperfeição.

( Galeria de Santinha - Casas Possíveis )
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Não sei quanto a você, mas eu ando definitivamente exausta de correr atrás da perfeição. No outro dia me peguei medindo as toalhas de banho dobradas para que elas formassem impecáveis pilhas no meu armário. Uma amiga me diz que arruma os vidros de tempero por ordem alfabética. E o pediatra solta um comentário bem-humorado sobre mães que se sentem pessoalmente insultadas quando seus filhos ficam gripados. Como se gripe fosse uma espécie de tinta que manchasse a perfeição dos seus pimpolhos...
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Nosso índice de tolerância aos "defeitos de fabricação" do universo anda mesmo muito baixo. E isso nos torna a espécie mais reclamona do universo --- provavelmente a única, mas é que tenho algumas dúvidas se bois e vacas interiormente não reclamam daquelas moscas sempre em volta dos seus rabos...
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Passamos um bocado de tempo tentando caber nas molduras que inventamos para nós. Isso quando escapamos de tentar vestir à força as expectativas que OUTROS criaram para NÓS. Senão, me digam porque seres humanos razoáveis investiriam tanto tempo, dinheiro e energia para tentar recuperar a imagem que tinham aos 18 anos?
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Por estas e por outras tantas foi que quando terminei de ler aquele livrinho senti que tinha recebido um revelação divina!
É só um livreto, mas, ao contrário, desses livros bonitinhos que a gente compra como se fosse um cartão para dizer “Feliz Aniversário” ou “Como eu gosto de você”, não é tão fácil assim de ler. Muito menos de pôr em prática os conselhos da autora. Em português acabou chamando A arte de viver bem com as imperfeições. Uma pena, eu penso. O título em inglês é The Art of Imperfection ou A Arte da Imperfeição. Assim, simplesmente. Teria sido melhor. Porque é disto que Véronique Vienne fala no seu pequeno livro: das formas de perceber a beleza que se esconde nas frestas do mundo perfeito que tentamos, sempre em vão, construir para nós.Você conhece aquela história de que os tapetes persas sempre tem um pequeno erro, um minúsculo defeito, apenas para lembrar a quem olha de que só Deus é perfeito?
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Pois é, a Arte da Imperfeição começa quando a gente reconhece e aceita nossa tola condição humana.
Véronique Vienne dividiu seu manual em dez capítulos de títulos muito sugestivos: a arte de cometer erros, a arte de ser tímido, a arte de se parecer consigo mesmo, a arte de não ter nada para vestir, a arte de não ter razão, a arte de ser desorganizado, a arte de ter gosto, não bom-gosto, a arte de não saber o que fazer, a arte de ser tolo, a arte de não ser nem rico nem famoso. E encerra o livro com 10 boas razões para ser uma pessoa comum. “ A história está cheia de criaturas incompetentes que foram muitíssimo amadas, desajeitados com personalidades cativantes e gente boba que encanta a todos com seu jeito despretensioso. O segredo? Aceitar nossas falhas com a mesma graça e humildade com que aceitamos nossas melhores qualidades”, ela diz. E propõe: “Perdoe a si mesmo. (...) Você não precisa ser perfeito para ser um ser humano bem-sucedido.
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De fato, com mais freqüência do que imaginamos, o desejo de acertar impede as coisas de melhorarem e a necessidade de estar no controle aumenta a desordem e o caos”.
A Arte da Imperfeição, no entanto, não se limita ao reconhecimento das imperfeições humanas. Também tem a ver com nosso jeito de olhar para as coisas mais banais, mais corriqueiras e enxergá-las com outros e mais benevolentes olhos. Leonard Koren, um designer americano, publicou alguns livros tentando revelar para o nosso jeito ocidental as delicadezas do olhar wabi sabi.
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Wabi sabi é a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. O termo é quase que intraduzível. Na verdade, wabi sabi é um jeito de “ver” as coisas através de uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade.
Contam que o conceito surgiu por volta do século 15. Um jovem chamado Sen no Rikyu (1522-1591) queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá. E foi procurar o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim. Rikyu lançou-se ao trabalho feliz. Limpou o jardim até que não restasse nem uma folhinha fora do lugar. Ao terminar, examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas caprichadamente ajeitadas. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre Rikyu chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão. Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu virou um grande Mestre do Chá e desde então é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de wabi-sabi: a arte da imperfeição.
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O que a historinha de Rikyu tem para nos ensinar é que estes mestres japoneses, com sua sofisticadíssima cultura inspirada nos ensinamentos do taoísmo e do zen budismo, conseguiram perceber que a ação humana sobre o mundo deve ser tão delicada que não impeça a verdadeira natureza das coisas de se revelar. E a natureza das coisas é percorrer seu ciclo de nascimento, deslumbramento e morte. Efêmeras e frágeis. Eles enxergaram a beleza e a elegância que existe em tudo que é tocado pelo carinho do tempo. Um velho bule de chá, musgo cobrindo as pedras do caminho, a toalha amarelada da avó, a cadeira de madeira branqueada de chuva que espreguiça no jardim, uma única rosa solta no vaso, a maçaneta da porta nublada das mãos que deixou entrar e sair.
Wabi sabi é olhar para o mundo com uma certa melancolia de quem sabe que a vida é passageira e, por isso mesmo, bela.
Para os olhos artistas de Leonard Koren wabi sabi é inseparável da sabedoria budista que ensina: Todas as coisas são impermanentes. Todas as coisas são imperfeitas. Todas as coisas são
incompletas.
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Daí olhar para elas de um modo wabi sabi é ver: A beleza que existe naquilo que tem as marcas do tempo (a velha cadeira de balanço com sua pintura já gasta tomando o solzinho que entra pela janela é wabi sabi). A beleza do que é humilde e simples (em vez de sofisticado e cheio de ornamentos inúteis). A beleza de tudo que não é convencional (quer algo mais wabi sabi do que servir à luz de velas e em toalhas de renda um simples hamburguer?). A beleza dos materiais que ainda guardam em si a natureza (wabi sabi é definitivamente papel, algodão, velhos e nobres tecidos, nada de plástico). A beleza da mudança das estações (que tal experimentar descobrir os primeiros verdes fresquinhos e brilhantes que anunciam a primavera?)
A Arte da Imperfeição é ver a vida com a tranquilidade de quem sabe que a busca da perfeição exaure nossas forças e corrói nossas pequenas alegrias. Porque, como disse Thomas Moore, “a perfeição pertence a um mundo imaginário”. No nosso mundo de verdade, aqui e agora, que tal abrir os olhos para o estilo wabi sabi?
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( Adilia Belotti )
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11 novembro 2009

O Significado da Vida


" Quer a vida tenha em si um significado ou não; a nós cabe lhe dar um significado.
Nas mãos de um artista inspirado, um bocado de argila inútil,
torna-se uma obra de arte inestimável.
Por que não experimentar igualmente fazer alguma coisa
de argila comum das nossas vidas, ao invés de nos lamentar da sua inutilidade?
Nossa vida e o mundo em que vivemos tem
TANTO SIGNIFICADO QUANTO NÓS ESCOLHEMOS PRA LHES DAR"
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(do livro; Fundamentos do Misticismo Tibetano - do Lama Anagarika Govinda)
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07 novembro 2009

Amor Profundo


Não seja meu amor um mero passageiro
nesta estação de embarque de quimeras
em que a esperança espera em cativeiro
nas lembranças do encanto das esperas.
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Que em nossas vidas fique o cancioneiro
com memórias do amor de quantas eras
migradas de entre as pedras ao canteiro
onde hás plantado à flor das primaveras.
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Que os dias não nos passem enfadonho
se nos deixem sonhar nossos dois sonhos
como almas gêmeas de meu travesseiro.
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Provavelmente o amor venha a ser tanto
que transcenda os limites desse encanto
e seja tão eterno o quanto é verdadeiro.
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(Afonso Estebanez )
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30 outubro 2009

Se tu viesses ver-me



Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
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Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
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Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
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E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
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(Florbela Espanca)

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